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Primeiramente é para mim uma honra relatar minha experiência de vida para o site da Clínica Accendere, da qual muito admiro o trabalho realizado por profissionais competentes, os quais me permitiram um enorme crescimento.
Minhas dificuldades identificadas ainda na infância, por volta dos 3 anos, passaram por inúmeros diagnósticos ao longo dos anos, sem uma clara definição. Hiperatividade? Problemas de coordenação motora? Quais?
Eu e minha família demoramos muitos anos para entender esse processo. Provavelmente minhas pequenas limitações foram causadas por um parto complicado.
Minhas limitações foram pequenas dificuldades que somente hoje estão sendo trabalhadas com a TO – Terapia Ocupacional, pois, já na vida adulta, quando de um trabalho de psicoterapia com a Dra. Edna de Souza Fernandes, fui incentivado pela mesma a buscar ajuda na Terapia Ocupacional com a Flávia Lopes Vieira Andrade.
Na TO descobri que a minha limitação está relacionada ao Processamento da Informação Sensorial, que é responsável pela captação dos estímulos que o ambiente oferece, processamento dos mesmos pelo cérebro, assim como das respostas funcionais do corpo em resposta a estes estímulos (em situações que exijam equilíbrio, coordenação motora) . Eu não usava tão bem as regiões do cérebro exatamente responsáveis por isso e assim tinha que usar certos recursos. Por isso que eu era tão agitado quando criança e todos pensavam que eu era hiperativo. Com o trabalho da TO estou “ativando” essas regiões no qual eu não usava tão bem.
Sou um cara de um metro e oitenta, boa pinta, gosto de um bom papo, com vida social ativa e bastante educado e atencioso com todos. Nos estudos sempre me destaquei com uma enorme facilidade de aprendizado, desempenho escolar acima da média, particularmente no campo da matemática e ciências exatas, e ótima concentração. Jogo uma bola razoável, sendo um bom goleiro, e nunca passei vergonha em esportes como vôlei e na natação.
Graças a Deus, as minhas dificuldades sempre foram mínimas, perceptíveis por especialistas, meus pais e irmão que conviviam comigo diariamente e posteriormente minha esposa. Eram pequenas dificuldades geradas pela “Disfunção do Processamento da Informação Sensorial”, tais como, o modo de andar, de olhar, o equilíbrio, aptidões para atividades físicas mais radicais, entre outras, o que me levou, porém, a ser visto como uma pessoa “diferente” por algumas pessoas, de algum modo, também “diferentes”.
Sei muito bem o que é ser discriminado e posso dizer, também, que passei por cima disso tudo.
Eu não compreendia bem isso por não saber o motivo. Mas hoje compreendo e não tenho rancor de quem me discriminou, e sim pena, por serem pessoas tão fracas de espírito.
Sofri preconceitos em todas as fases de colégio, principalmente na adolescência. Do mesmo modo, na faculdade era tachado por uma minoria, é verdade, como “esquisitão”. Independentemente disto, porém, passei por uma vida de estudos de alto desempenho, incorporando, inclusive, o orgulho de ter “fechado nota dez” numa prova “aberta” de matemática no vestibular. Nesse sentido, acredito, juntava-se o preconceito à inveja!
Passando por cima de isso tudo, sou formado em Engenharia Civil pela UFMG e pós-graduado em Qualidade pelo IEC PUC.
Mas vamos em frente!
Já na vida profissional fui obrigado a pedir demissão de uma empresa de informática por atitudes preconceituosas, ofensivas e maldosas de um chefe. Esse “empresário” teve a covardia de me entregar um troféu do tipo o “O Mala do Ano” na festa de Natal da empresa, muito longe do clima de paz e amor esperado. Em outra fui demitido, creio, por ter “um jeitão diferente” e não produzir no ritmo “rapidinho e erradinho” que imperava. Nesses dois casos estou certo de que desenvolvi um bom trabalho e me esforcei muito, inclusive virando madrugadas na batalha.
Hoje sou sócio de meu pai numa empresa de consultoria nas áreas de informática e gestão empresarial. Realizamos trabalhos diferenciados e recebemos retornos extremamente positivos das principais empresas nacionais. Particularmente, meu trabalho é alvo de ótimas avaliações de todos nossos clientes, que gostam e elogiam o meu “jeitão diferente” de trabalho, baseado na qualidade e capricho, em detrimento da correria e da competição selvagem.
Sou casado há 2 anos e tenho uma esposa maravilhosa, minha grande incentivadora.
Com tudo isso, digo àqueles “diferentes” como eu, que ignorem aquelas pessoas “diferentes”, neste caso, provavelmente no caráter. Pessoas infelizes, maldosas e de alma pequena, que espreitam os pequenos problemas e discriminam o que parece ser diferente para elas. Pessoas que certamente não percebem um desvio de caráter, os considerando normais, mas que não perdoam um andar um pouco diferente, um modo mais lento ao falar ou uma girada de cabeça ao olhar.
Finalizando, vou relatar quais eram as minhas dificuldades que foram detectadas e o quanto cresci nos quatro anos de Terapia Ocupacional com a Flávia Lopes Vieira, uma excelente profissional.
As minhas maiores dificuldades eram as seguintes:
• Grande dificuldade de fazer várias atividades ao mesmo tempo (requisitadas durante o trabalho e em funções como dirigir).
• Falta de rapidez nos movimentos que exigem reflexo por dificuldades no movimento conjunto de olhos e pescoço, o que me causava falta de equilíbrio, tanto que caia bastante.
• Encurtamentos nas pernas, postura e respirações erradas. Eu só respirava com a boca aberta, o que também era uma das causas da minha mastigação errada.
• Problemas de mastigação.
• Pequenas dificuldades na expressão facial.
Como a TO está me fazendo superar essas dificuldades:
• Através de atividades e estímulos, está ativando regiões do cérebro que eu não usava anteriormente. Com isso melhorou ainda mais o meu raciocínio e venho superando a dificuldade de executar várias atividades ao mesmo tempo
• Exercícios com giro que melhoraram demais o movimento do meu pescoço e dos olhos, produzindo efeitos positivos no meu equilíbrio. • Hoje já não caio mais.
• São feitos alongamentos, o que vem melhorando muito os meus encurtamentos e minha postura.
• Os exercícios respiratórios melhoraram muito a minha respiração e, consequentemente, a mastigação. Hoje respiro normalmente pelo nariz.
• Através de atividades de estímulo facial a minha mastigação está excelente, bem como a minha expressão facial melhorou bastante.
Seguindo minha experiência, encorajo a todos pacientes, seus pais e, no geral, pessoas que passam por dificuldades iguais ou até bem maiores que as minhas, que nunca desistam de evoluir com suas sessões de Terapia Ocupacional.
Sei que ainda tenho muito a melhorar, muito a fazer, mas posso dizer que a minha qualidade de vida melhorou enormemente com o excelente trabalho da Flávia, a quem só tenho que agradecer muito!
Agradeço também ao carinho de todos na Clínica!
Um grande abraço,
Bruno Aguiar Camanho
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